
Foto: Conveyor belt sushi · CC BY 2.0
Kuzukiri (macarrão de amido de kuzu com calda de açúcar preto)
A sobremesa de verão de Kyoto: amido de kuzu dissolvido em água, despejado em camada fina numa assadeira rasa, firmado sobre água fervente, esfriado em água gelada, cortado em fios e mergulhado em calda de açúcar preto. A gelatina e o ágar firmam ao esfriar; o amido de kuzu firma enquanto é aquecido. Por isso cada folha é firmada sobre o calor, passada direto para a água gelada e comida onde foi feita.
Ingredientes
- amido de kuzu (hon-kuzu) · fécula de batata se não encontrar50 g
- água150 ml
- Calda de açúcar preto
- açúcar mascavo escuro ou kokuto de Okinawa80 g
- água80 ml
- Utensílios
- assadeira rasa e plana de metal · 15-20cm, de borda baixa1
- tigela de água gelada1
Modo de preparo
- ⏲ 3 min
Derreta o açúcar na água em fogo baixo, ferva baixinho por 3 minutos e deixe esfriar.
Junte a água ao amido de kuzu aos poucos, desfazendo os grumos com os dedos, e passe uma vez pela peneira. O amido assenta rápido, então mexa toda vez antes de despejar.
Leve uma panela larga de água à fervura e baixe para fogo médio. Ponha a assadeira para boiar na água, despeje o líquido de amido com 2mm de altura e incline a assadeira para espalhar por igual.
- ⏲ 2 min
Deixe boiando 1 minuto e a superfície firma, branca. Depois afunde a assadeira na água fervente por mais um minuto. Está pronto quando o branco some e fica totalmente transparente.
- ⏲ 30 s
Passe a assadeira direto para a água gelada para esfriar. Levante uma borda com a ponta do dedo e solte a folha inteira.
Tire da água gelada para uma tábua e corte em tiras compridas de 7-8mm de largura. Repita com o resto do amido.
Ponha o macarrão para boiar numa tigela de água gelada e sirva na hora com a calda. Mergulhe cada fio na calda para comer.
Variações
- Com fécula de batata: a Wikipédia coreana observa que, como o kuzu é caro, versões feitas com fécula de batata são muito usadas no lugar dele. O método não muda.
- Kuzukiri seco: o verbete observa que ele também é seco e posto no nabe, os cozidos de panela japoneses.
- Com mel: o verbete também o descreve comido com mel gelado por cima.
- O outro macarrão transparente de Kyoto: o tokoroten é ágar firmado numa fôrma e empurrado em fios. Os dois se parecem, mas o tokoroten firma ao esfriar e o kuzukiri firma sobre água fervente.
Dicas
- Por isso cada folha é fina. Como tem de firmar enquanto aquece, é despejado com 2mm de altura para que o calor alcance tudo depressa. Despeje várias folhas finas em vez de uma grossa.
- A cor diz quando. A superfície ficar branca é só meio caminho. Afundado e transparente por inteiro, está cozido.
- O amido assenta. Parado, o amido afunda no fundo da água. Mexa antes de cada despejo ou as folhas saem desiguais.
Mais detalhes e os porquês (2)
- Firma enquanto cozinha, não enquanto esfria. A Wikipédia coreana dá a diferença: a gelatina e o ágar firmam ao esfriar depois de aquecidos, mas o kuzukiri, por ser um amido, firma enquanto é aquecido. A gelatina da panna cotta e o ágar do yōkan são despejados numa fôrma e esperados — “Ele firma por volta de 40C e não derrete antes de passar de 85C”. Até o amido do dotori-muk é “Amido de bolota batido em água, fervido e deixado firmar.” O kuzukiri não espera: cada folha fina é firmada sobre o calor e passada direto para a água gelada.
- Coma onde foi feito. O aviso do dotori-muk sobre a geladeira vale aqui: no frio “a rede de amido se reorganiza de forma mais grosseira e a água é expulsa.” O kuzukiri é servido boiando em água gelada, então não pode esperar. Faça só o que for comer.
Os fundamentos por trás deste prato
- Ovos: temperaturas de coagulação e o que elas decidemA clara firma a 62°C, a gema a 68°C. Esses dois números explicam de uma vez os ovos mexidos, os ovos cozidos, o creme no vapor e o crème anglaise.
- Por que os molhos talham: emulsões e molhos de frigideiraUm molho de creme que talha e uma carbonara que vira ovo mexido são a mesma falha. Temperatura e emulsificantes — e como trazer de volta um molho talhado.
- Técnicas de faca: empunhadura, cortes e por que o tamanho importaComo você segura a faca importa mais do que a velocidade do corte. A empunhadura em pinça, a mão em garra e por que o tamanho uniforme é uma decisão de cozimento e não estética.
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