Taramosalata (ovas curadas batidas com azeite e pão)

Foto: Robert Kindermann · CC BY-SA 2.5

Taramosalata (ovas curadas batidas com azeite e pão)

Um meze grego: ovas de peixe curadas no sal batidas com pão demolhado, azeite e limão-siciliano até virar uma emulsão clara. É uma maionese construída na ordem inversa — o emulsificante já passou semanas sendo curado, então o tempero chega antes do cozinheiro e o ajuste se faz diluindo, não salgando. Tradicionalmente comida na Segunda-feira Limpa, o primeiro dia da Quaresma ortodoxa.

Ingredientes

6porções
  • A base
  • tarama (ovas de bacalhau curadas no sal) · ou 100g de mentaiko; veja as Dicas100 g
  • pão branco · sem casca, só o miolo de um dia120 g
  • água · para demolhar o pão100 ml
  • azeite · suave; só extravirgem fica amargo150 ml
  • suco de limão-siciliano3 colher de sopa
  • suco de cebola · ralada, só o suco1 colher de chá
  • Para servir
  • azeitonas8
  • pepino e tomateto taste
  • pão sírio2

Modo de preparo

  1. Lave a tarama numa peneira em água fria por 30 segundos. Se estiver muito salgada, deixe de molho 10 minutos e esprema. Esta é a única chance que você tem de acertar o tempero.

    ⏲ 10 min
  2. Deixe o miolo de pão de molho na água e depois esprema com força nas mãos. A água que fica nele impede o azeite de pegar depois.

    ⏲ 2 min
  3. Bata as ovas, o pão espremido e o suco de cebola por um minuto, até formar uma pasta lisa.

    ⏲ 1 min
  4. Com o aparelho ligado, despeje o azeite em fio. Despejado de uma vez, a emulsão nunca se forma e o azeite fica por cima.

    ⏲ 4 min
  5. Junte o suco de limão-siciliano em duas vezes ao longo do processo. Firme demais quer dizer que pede limão-siciliano; mole demais quer dizer que pede azeite.

    ⏲ 1 min
  6. Prove. Se estiver salgada demais, você acrescenta pão, não menos sal — mais 20g de miolo com 20ml de azeite, e bata de novo.

    ⏲ 2 min
  7. Leve à geladeira por pelo menos uma hora para firmar. Sirva com um último fio de azeite, as azeitonas e pão sírio.

    ⏲ 60 min

Variações

  • Com batata: 120g de batata cozida e passada no espremedor no lugar do pão. Mais pesada, mais lisa e sem glúten, e comum na Grécia também.
  • A cor: a versão rosa-choque, como a da fotografia, é industrial e tingida. Feita em casa com ovas de bacalhau curadas, fica mais perto de creme. Clara não é defeito.
  • Outras ovas: ovas de tainha dão uma versão muito mais profunda e muito mais cara. Feita com mentaiko, ela se aproxima da salada japonesa de tarako, que é um prato diferente montado sobre maionese.
  • A mesa de meze: servida ao lado do tzatziki e do saganaki é a disposição padrão.
  • Segunda-feira Limpa: comida no primeiro dia da Quaresma, e é por isso que não leva carne nem laticínios. Tirar tanto corpo só de azeite, pão e ovas é o essencial.

Dicas

  • Junte o azeite em fio, como em qualquer outro lugar. Se talhar, dá para salvar: recomece numa tigela limpa com uma colher de sopa das ovas e vá batendo a mistura talhada nela aos poucos.
  • A mesma classe de ingrediente do ganjang-gejang. Os dois firmam ovas com sal ou molho de soja em vez de calor. Aquele as tira da carapaça com colher; este as mói e as alimenta de azeite.
  • Fica melhor no dia seguinte. O sal se distribui e a aspereza da cebola crua some. Também absorve com facilidade os cheiros da geladeira, então mantenha coberta.
Mais detalhes e os porquês (5)
  • O prato inteiro decorre de um emulsificante que já vem temperado. Por que os molhos talham coloca a lecitina da gema de ovo em primeiro lugar entre os emulsificantes. Ovas de peixe são ovos e pertencem a esse item — só que esses ovos passaram semanas no sal. Uma maionese é temperada depois de pronta; a taramosalata começa com o tempero já fixado. Então o ajuste só corre num sentido: salgada demais se corrige com mais pão e azeite, nunca com menos sal (sal e tempero).
  • O pão não é volume, é um segundo emulsificante. O mesmo guia lista o amido à parte, como aquele que "prende fisicamente as gotículas". Aqui a lecitina e o amido trabalham na mesma tigela ao mesmo tempo, e é por isso que uma mousse de tarama sem pão talha com muito mais facilidade e esta aguenta a noite. É também por isso que o pão é espremido com força: a água que fica nele faz o amido segurar água em vez de azeite.
  • Só extravirgem fica amargo. A lâmina dura do liquidificador rompe os polifenóis do azeite e o amargor vem para a frente. Monte a emulsão com um azeite suave e despeje o bom por cima no final (óleos de cozinha).
  • O tzatziki tem o problema oposto. Lá o trabalho inteiro é tirar a água de dentro do pepino; aqui a água é colocada dentro do pão e depois espremida de volta. Dois mezes da mesma mesa, lidando com a umidade em sentidos opostos.
  • Compare com o allioli das patatas bravas. Aquela página admite que o alho é um emulsificante fraco e observa que acrescentar ovo o deixa estável "ao custo de ter gosto de ovo em vez de alho". A taramosalata nunca enfrenta essa troca: as ovas são o emulsificante e o sabor ao mesmo tempo.

Os fundamentos por trás deste prato

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