
Lamington (quadradinhos de bolo com chocolate e coco)
O quadradinho australiano da hora do chá: bolo amanteigado cortado em cubos, mergulhado numa cobertura rala de chocolate e passado no coco ralado seco. Ingredientes simples, método simples, e quase toda falha acontece no mesmo lugar. Bolo assado naquela manhã desmancha nos cantos no momento em que encontra a cobertura. Esta é uma receita construída em torno do bolo do dia anterior, e o bolo amanhecido é uma exigência, não uma concessão.
Ingredientes
- Bolo (fôrma de 20x20cm, rende 16)
- manteiga sem sal · em temperatura ambiente125 g
- açúcar200 g
- ovos · em temperatura ambiente3
- extrato de baunilha1 colher de chá
- farinha de trigo para bolo · peneirada225 g
- fermento químico em pó2 colher de chá
- leite · em temperatura ambiente125 ml
- sal0.25 colher de chá
- Cobertura de chocolate
- açúcar de confeiteiro · peneirado500 g
- cacau em pó · sem açúcar50 g
- manteiga · derretida, para dar brilho15 g
- água fervente · ajuste à consistência150 ml
- Para cobrir
- coco ralado seco · o fino, não em flocos200 g
Modo de preparo
- ⏲ 5 min
Bata a manteiga com o açúcar por 5 minutos até clarear. Junte os ovos um a um, deixando cada um desaparecer, e depois a baunilha. Incorpore os secos peneirados e o leite alternadamente, em duas vezes, com uma espátula.
- ⏲ 30 min
Despeje numa fôrma forrada e asse a 180°C por 30 minutos, até um palito sair limpo. Deixe esfriar na fôrma por 10 minutos, desenforme e deixe esfriar por completo numa grade.
- ⏲ 60 min
Embrulhe o bolo frio e deixe de um dia para o outro. Esta é a frase mais importante da receita; pule-a e o bolo esfarela no passo seguinte. Com pressa, uma hora no freezer, embrulhado, faz as vezes dela.
Corte o bolo 4 por 4 em dezesseis cubos de cerca de 5cm. Use uma faca serrilhada e serre em vez de pressionar. Espalhe os cubos de novo na grade para que as faces cortadas também sequem um pouco.
Peneire o açúcar de confeiteiro e o cacau numa tigela larga, junte a manteiga derretida e a água fervente e bata até ficar liso. Deve escorrer das costas de uma colher mantendo a marca por um instante. Grosso demais, junte água quente às colheradas; ralo demais, mais açúcar de confeiteiro.
Coloque a tigela sobre uma panela com água quente para manter a cobertura morna. Fria, ela engrossa na hora e vai em grumos pesados. Manter essa consistência do começo ao fim é todo o segredo.
Levante cada cubo com dois garfos ou espetos, mergulhe e gire para cobrir as seis faces. Não o deixe lá — alguns segundos bastam, e mais que isso o bolo bebe a cobertura, fica pesado e cede. Deixe o excesso escorrer na borda da tigela.
Role-o direto num prato de coco, cobrindo todas as faces. Só gruda enquanto a cobertura ainda está úmida. Virá-lo com dois garfos em vez das mãos evita que o coco empelote nos dedos.
- ⏲ 30 min
Espalhe-os numa grade e deixe 30 minutos para firmar — na grade, para a base não ficar achatada. Duram três dias num pote hermético em temperatura ambiente.
Variações
- Lamingtons de maracujá: a versão amarela, com cobertura de maracujá em vez de chocolate, padrão nas padarias australianas. Também existem versões de morango, café e matchá.
- Feito com sobras: um pound cake ou um pão de banana amanhecido cortado em cubos funciona direto — melhor, na verdade, que fresco.
- Com o que servir: chá. Vão na mesma bandeja que os scones e às vezes são servidos com creme, como o Eton mess.
Mais detalhes e os porquês (4)
- Recheados com geleia e creme: cortados ao meio na horizontal e recheados com geleia de framboesa e chantili. Mais comuns na Nova Zelândia e em partes da Austrália, e feitos assim precisam ser comidos no mesmo dia.
- Pão de ló ou bolo amanteigado: uma discussão de verdade. Um pão de ló leve bebe a cobertura e fica úmido, mas é difícil de manusear; o bolo amanteigado que esta receita usa é firme o bastante para mergulhar com facilidade e dura três dias. Ele é feito pelo mesmo método de bater manteiga e açúcar do pound cake.
- A disputa com a Nova Zelândia: como a pavlova, é um bolo contestado. A versão mais comum o liga a Lord Lamington, governador de Queensland por volta de 1900, enquanto uma versão neozelandesa o vê como corruptela de "Wellington". Exatamente a mesma forma de disputa da pavlova.
- A lamington drive: escolas e clubes os fazem e vendem em grande quantidade para arrecadar dinheiro, tantas vezes que na Austrália a expressão é quase sinônimo de venda beneficente. Com a meat pie, costuma ser contado como um dos dois alimentos pelos quais a Austrália é mais conhecida.
Dicas
- Com pressa, uma hora no freezer. Embrulhado e congelado, chega à mesma firmeza. Não precisa congelar por inteiro — gelado e firme por fora basta (congelar e descongelar).
- Mantenha a cobertura morna. Ela engrossa em minutos ao esfriar. Trabalhar com a tigela sobre água quente é o que faz os dezesseis saírem iguais (o que o açúcar faz).
- Por que água fervente. Açúcar de confeiteiro e cacau não se dissolvem direito em líquido frio e deixam grãos. A água fervente os deixa lisos e ao mesmo tempo já começa a cobertura morna.
- Mergulhe por segundos, não mais. Deixado lá, o bolo faz o que bolo faz, fica pesado e cede. Entra, gira, sai.
- Dois garfos, ou espetos. Feito com as mãos, coco e cobertura grudam nos dedos e o trabalho fica impossível lá pelo décimo. Usar uma mão para mergulhar e outra para rolar também funciona.
- Coco imediatamente. Quando a cobertura começa a secar, o coco simplesmente escorrega. Deixe a tigela da cobertura e o prato de coco lado a lado e faça um cubo de cada vez.
- Coco fino, não em flocos. Flocos grandes caem com o próprio peso e deixam a superfície irregular. Coco ralado seco — bem fino — é o certo.
- Deixe firmar numa grade. Num prato, a cobertura de baixo gruda e uma face fica achatada. Espalhe-os numa grade de arame.
- Cacau sem açúcar. Já há 500g de açúcar de confeiteiro na receita; cacau adoçado deixa você com doçura e nada de chocolate.
- Três dias num pote hermético. A casca de coco segura a umidade melhor do que você imaginaria. A versão com geleia e creme vai para a geladeira e é comida no mesmo dia (temperatura de servir).
Mais detalhes e os porquês (2)
- Use bolo do dia anterior — isto é metade da receita. Bolo fresco é úmido e mal firmado, e desmancha nos cantos no instante em que encontra a cobertura. Deixado de um dia para o outro, a retrogradação do amido firma o miolo o suficiente para aguentar ser mergulhado pelas seis faces. É uma das poucas receitas em que o bolo amanhecido é uma exigência, e não um problema (reaproveitar sobras).
- A cobertura tem de ser rala. Você passa o bolo por ela, não espalha uma calda. Deve escorrer de uma colher mantendo a marca por um segundo. Mais grossa e o cubo fica amassado; mais rala e o coco não gruda.
Os fundamentos por trás deste prato
- Reaproveitar sobras: reaquecer pela textura, não por hábitoO micro-ondas não é a ferramenta certa para tudo. O que fazer depende do que se degradou — umidade, crocância ou amido — e os três pedem tratamentos opostos.
- Ovos: temperaturas de coagulação e o que elas decidemA clara firma a 62°C, a gema a 68°C. Esses dois números explicam de uma vez os ovos mexidos, os ovos cozidos, o creme no vapor e o crème anglaise.
- Por que os molhos talham: emulsões e molhos de frigideiraUm molho de creme que talha e uma carbonara que vira ovo mexido são a mesma falha. Temperatura e emulsificantes — e como trazer de volta um molho talhado.
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