Quindim

Foto: Tamorlan · CC BY 3.0

Quindim

Um pequeno doce brasileiro de gemas, açúcar, coco ralado e manteiga derretida, assado em banho-maria em forminhas untadas com manteiga e polvilhadas com açúcar, e depois desenformado de modo que uma camada de coco sustente um topo amarelo e brilhante. O crème brûlée dispersa as gemas no creme de leite e o crème caramel no leite; o quindim não tem líquido nenhum para dispersá-las. Por isso, no forno, a mistura se separa em coco e gema, e uma só assada sai em duas camadas.

Ingredientes

6porções
  • Massa (12 forminhas)
  • gemas · cerca de 220g12
  • açúcar250 g
  • coco ralado · coco fresco ralado fino; se for o seco sem açúcar, hidrate por 20 minutos em 3 colheres de sopa de leite de coco100 g
  • manteiga · derretida30 g
  • Para as forminhas
  • manteiga · amolecida20 g
  • açúcar3 colher de sopa
  • água quente · para o banho-maria1 L

Modo de preparo

  1. Aqueça o forno a 170°C. Unte bem o interior de 12 forminhas com manteiga, polvilhe o açúcar, gire para espalhar e descarte o excesso.

  2. Misture o coco ralado com o açúcar e a manteiga derretida até cada fio ficar envolvido.

  3. Passe as gemas por uma peneira fina para segurar as películas e as calazas. Despeje sobre o coco e incorpore devagar com uma espátula, sem formar espuma. Deixe 10 minutos para o açúcar dissolver e as bolhas assentarem.

    ⏲ 10 min
  4. Encha as forminhas até quatro quintos. Coloque-as numa assadeira funda e despeje água quente até a metade da altura delas.

  5. Asse 35-40 minutos, até o topo firmar, a ponta do dedo pressionada no meio sair limpa e, ao sacudir, tudo balançar como uma massa só.

    ⏲ 38 min
  6. Tire do banho-maria, deixe esfriar e leve à geladeira por pelo menos 2 horas.

    ⏲ 120 min
  7. Passe uma faquinha em volta da borda e desenforme cada um num prato. A face que era o fundo da forminha agora é o topo brilhante.

Variações

  • Quindão: a mesma massa assada numa forma grande de furo no meio. Quanto maior, mais tempo leva o banho-maria.
  • O formato da foto: aqueles foram assados em forminhas pequenas com uma cavidade no centro. O formato da forminha vira o topo.
  • As claras: sobram doze. Suspiro, ou qualquer doce feito só com claras, dá conta delas.
Mais detalhes e os porquês (1)
  • Brisa do Lis: o doce português que a ko.wikipedia chama de quase a mesma coisa. Usa amêndoa moída no lugar do coco e acrescenta o açúcar em calda fervida antes. É um dos doces conventuais de Portugal.

Dicas

  • Desenforme frio. Morna, a camada de gema que vai ser o topo ainda está mole. Duas horas na geladeira e ela fica em pé quando virada.
Mais detalhes e os porquês (5)
  • Um creme sem nada em que dispersar as gemas. O crème brûlée firma as gemas no creme de leite e o crème caramel no leite. A variação filipina do crème caramel, o leche flan, é “feita com leite condensado e leite evaporado e só gemas”, mas essas gemas ainda estão no leite, e o kaya da kaya toast é “uma geleia de leite de coco, ovo e pandan”. O quindim não tem nenhum desses líquidos. Fora a manteiga derretida e o que o coco guarda, a única água da mistura é a das próprias gemas, e é por isso que ele assa mais denso e mais brilhante que esses cremes.
  • Por isso ele se separa em duas camadas no forno. Sem líquido para manter os fios de coco em suspensão, o coco costuma se separar da mistura de gemas durante a assada e se juntar numa camada no alto da forminha. Desenformada, essa camada vira a base, e a gema com açúcar que firmou contra o fundo da forminha vira o topo brilhante. Duas camadas de um só despejo, sem nada despejado duas vezes.
  • O banho-maria aqui também é um freio, exatamente como o crème brûlée o usa: “A água não passa de 100°C, então o lado de fora do ramequim nunca corre muito à frente e a borda e o centro firmam mais ou menos no mesmo ritmo.” A mesma receita acrescenta: “Um creme de gemas firma a 80–84°C e coagula demais acima disso, expulsando água.” O quindim, com açúcar perto do peso das gemas, assa por mais tempo, mas o teste para tirar do forno é o mesmo: tudo balança como uma massa só.
  • Por que a forminha é untada e polvilhada com açúcar. Ele é desenformado, então primeiro precisa soltar, e a face que firmou contra a forminha é a face que todo mundo vê. A manteiga faz soltar e o açúcar alisa essa face. Açúcar solto na forminha deixa grãos no topo, então descarte o excesso.
  • Não bata ar. Como o crème brûlée avisa, “O ar batido nas gemas sobrevive como espuma na superfície” e firma desse jeito. Aqui essa superfície acaba embaixo depois de desenformada, mas bolhas espalhadas pela mistura deixam furos na face brilhante. Peneirar as gemas e deixar a mistura descansar dez minutos é o que evita isso.

Os fundamentos por trás deste prato

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