
Foto: Rachel Dalby · CC BY-SA 4.0
Farinata (massa de farinha de grão-de-bico assada, crocante por fora e cremosa por dentro)
Uma comida de rua da Ligúria feita de farinha de grão-de-bico, água, azeite e sal, assada com 5mm de espessura em forno muito quente. A farinha de grão-de-bico tem mais proteína que a de trigo, mas não forma glúten, então a massa pode ser batida com força sem endurecer. A proteína que firma e o amido que gelatiniza a deixam crocante nas bordas e cremosa por dentro.
Ingredientes
- A massa
- farinha de grão-de-bico · farina di ceci, de moagem fina300 g
- água · três vezes a farinha, morna900 ml
- sal2 colher de chá
- azeite extravirgem · a parte que vai na massa60 ml
- Para a fôrma
- azeite extravirgem · a parte que vai na fôrma; não economize60 ml
- Para finalizar
- pimenta-do-reino moída grossa · na Ligúria é a cobertura inteira1 colher de chá
- alecrim · opcional1 ramo
- Variações
- cebola · fatiada fina e espalhada por cima1
- queijo stracchino · opcional100 g
Modo de preparo
- ⏲ 10 min
Bata a farinha de grão-de-bico com 900ml de água passando por uma peneira. Qualquer grumo que sobrar vai ter gosto de farinha crua na farinata pronta.
Cubra e deixe em temperatura ambiente por pelo menos quatro horas, de preferência durante a noite. Não é um descanso de glúten: a farinha grossa de leguminosa simplesmente leva esse tempo para absorver a água.
- ⏲ 5 min
Uma espuma branca e grossa sobe à superfície. Retire-a e jogue fora. São as saponinas do grão-de-bico, e se ficarem têm gosto de sabão e amargo. Esta etapa é a diferença entre uma farinata e um fracasso.
- ⏲ 3 min
Misture o sal e 60ml de azeite. Bata com a força que quiser — sem glúten para desenvolver, não há nada que endureça.
- ⏲ 20 min
Aqueça o forno a 250C, ou o máximo que ele der, com uma fôrma de cobre ou de ferro fundido dentro (o que seu forno está fazendo).
- ⏲ 3 min
Tire a fôrma quente, despeje os outros 60ml de azeite e despeje a massa com 5mm de altura. O azeite subindo pelas bordas da massa está certo — é esse azeite que frita a borda.
- ⏲ 20 min
Asse de quinze a vinte minutos, até a superfície ficar dourada com bolhas escuras aqui e ali. Quanto mais forte o calor de cima, melhor. O interior ainda deve estar macio, não firme.
- ⏲ 5 min
Moa pimenta-do-reino grossa por cima e corte em quadrados ainda quente. Fria, é outra comida — a cremosidade de dentro some.
Variações
- Nomes: farinata na Ligúria, cecina no litoral da Toscana, socca em Nice. Nice a assa mais fina e mais escura.
- Com cebola: cebola fatiada espalhada sobre a massa antes de assar — a versão lígure mais comum.
- Com stracchino: um queijo macio derretido por cima depois de assada.
- Farinata bianca: feita com farinha de trigo em vez de grão-de-bico, da região de Savona, assada do mesmo jeito.
- Panelle: a Sicília firma a mesma massa e a frita em fatias. Assada ou frita é toda a diferença entre as duas.
Dicas
- Então bata com a força que quiser. Não há glúten para desenvolver nem nada que endureça — o oposto da regra de "misture o mínimo possível" que o gamja jeon e a tempura seguem.
- Fina, quente, rápida. Acima de 5mm o meio é um mingau úmido de leguminosa; num forno morno ela só resseca.
- Coma na hora. Fria, a cremosidade some e ela é só uma panqueca seca.
Mais detalhes e os porquês (5)
- Explicar uma farinha pela porcentagem de proteína (escolher a farinha) não funciona aqui. Essa explicação só vale dentro do trigo. A farinha de grão-de-bico tem mais proteína que a de trigo e não forma glúten nenhum, porque a proteína das leguminosas é sobretudo globulina, que não se liga numa rede com água e trabalho como fazem as proteínas do glúten do trigo.
- Ela foge dessa premissa de um jeito diferente do pumpernickel. O centeio tem as proteínas do glúten, e as pentosanas se colocam fisicamente entre elas. O grão-de-bico nem tem proteínas capazes de se ligar.
- O descanso de quatro horas não é um descanso de glúten. A farinha de leguminosa de moagem grossa simplesmente leva esse tempo para se hidratar. Não é o descanso que relaxa o glúten de uma massa de crêpe de trigo.
- Retire sempre a espuma. As saponinas do grão-de-bico espumam na água como sabão, e assadas deixam um retrogosto amargo de sabão. Quando a farinata caseira não tem o gosto da de loja, geralmente é por isso.
- A fôrma faz um trabalho diferente da do cornbread. Lá a gordura é aquecida até soltar fumaça e a massa frita na base. Aqui metade do azeite já está dentro da massa, o azeite da fôrma cozinha a borda fina e o prato é decidido pelo calor forte de cima — o interior tem de ficar cremoso, então cozinhar só a base é um fracasso.
Os fundamentos por trás deste prato
- Controle do fogo: preaquecer, o óleo e ler a frigideiraOs mesmos ingredientes viram um prato diferente conforme a temperatura da frigideira. Quando colocar o óleo, como ler o calor pelo som e quais pratos querem fogo baixo.
- Fritura por imersão: temperatura, empanamento e a segunda frituraFritar não é tanto cozinhar no óleo quanto trocar a água do alimento por ele. Duas temperaturas, para que serve cada tipo de cobertura e por que existe a segunda fritura.
- Massa e glúten: quando desenvolvê-lo e quando evitá-loA mesma farinha com água vira massa de pastel cozido ou uma panqueca macia. A diferença está em ter desenvolvido o glúten ou evitado — e sovar e descansar fazem trabalhos diferentes.
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