Paella

Foto: Wilfredor · CC0

Paella

O icônico prato de arroz da Espanha — arroz tingido de açafrão espalhado numa camada fina numa panela larga e cozido até secar com camarão, mexilhões e lula. No fundo se forma a cobiçada crosta, o 'socarrat'; sirva direto da panela com limão-siciliano.

Ingredientes

4porções
  • Arroz · de grão curto (bomba/Calasparra)2 xícaras
  • Camarão · com cabeça8
  • Mexilhões12
  • Lula · em anéis1
  • Sobrecoxa de frango · opcional, em pedaços pequenos150 g
  • Caldo de frutos do mar/frango · morno4 xícaras
  • Cebola · picada0.5
  • Pimentão vermelho · fatiado0.5
  • Tomate · ralado1
  • Alho · picado3 dentes
  • Ervilha · opcional0.5 xícara
  • Azeite3 colher de sopa
  • Limão-siciliano · para servir1
  • Tempero
  • Açafrão · em infusão no caldo morno1 pitada
  • Páprica defumada · pimentón1 colher de chá
  • Sal · a gosto

Modo de preparo

  1. Deixe o açafrão em infusão no caldo morno para extrair a cor e o aroma. Aqueça o azeite numa paellera larga.

  2. Sele o camarão e a lula (e o frango) em fogo alto só até o lado de fora pegar cor; reserve.

    ⏲ 3 min
  3. Na mesma panela, refogue a cebola, o pimentão e o alho, depois junte o tomate ralado e o pimentón e reduza até formar um sofrito profundo.

    ⏲ 5 min
  4. Junte o arroz e toste por 1-2 minutos para envolvê-lo no azeite, depois despeje o caldo com açafrão e espalhe o arroz por igual. Daqui em diante, não mexa.

    ⏲ 2 min
  5. Cozinhe em fogo médio por 10 minutos para reduzir o líquido, depois arrume por cima os mexilhões, a ervilha e os frutos do mar selados. Cozinhe mais 8-10 minutos.

    ⏲ 18 min
  6. Aumente o fogo nos últimos 1-2 minutos para formar o socarrat (a crosta crocante do fundo) — um estalido indica que está pronto. Fora do fogo, deixe descansar 5 minutos e sirva com limão-siciliano.

    ⏲ 5 min

Variações

  • Valenciana: A original de Valência — frango, coelho e feijão no lugar dos frutos do mar.
  • Mixta: Frutos do mar e carne juntos; a versão turística comum.
  • Paella de legumes: Só legumes — alcachofra, pimentão, feijão.
  • Arroz negro: Tingido de preto com tinta de lula.

Dicas

  • O arroz de grão curto (bomba) é o padrão — absorve o caldo sem empapar; na falta dele, use qualquer grão curto.
  • Nunca mexa depois que o arroz entra — o oposto do risoto; mexer acaba com o socarrat.
  • O socarrat (a crosta crocante do fundo) é o prêmio — faça-o com fogo alto no final, só não deixe queimar.
  • Deixe o açafrão em infusão no caldo morno antes, para ter cor e aroma de verdade.
  • Use uma panela larga e rasa para que o arroz fique numa camada fina e cozinhe por igual.
Mais detalhes e os porquês (5)
  • Deixar o açafrão em infusão num líquido é uma exceção à regra das especiarias. Despertar as especiarias começa dizendo que quase tudo o que você sente de cheiro numa especiaria é lipossolúvel, e é por isso que os aromáticos vão para o óleo quente, e o açafrão é uma das especiarias que desobedecem a essa premissa: tanto a crocina, que carrega a cor, quanto o safranal, que carrega o aroma, se dissolvem facilmente em água, então o caldo morno tira mais dos estigmas do que o óleo tiraria. Jogado seco na panela, ele tinge em manchas e entrega mais ou menos metade do seu perfume.
  • O socarrat é feito pelo amido que não foi mexido, e não pela rajada final de calor. Cozinhar arroz coloca a paella ao lado do risoto e diz para não lavar nenhum dos dois — ambos precisam do amido da superfície. O que os separa é o que acontece com ele: o risoto é mexido o tempo todo para que esse amido se espalhe pelo líquido como cremosidade, e a paella nunca é mexida, então ele fica onde assenta, no fundo. O último minuto ou dois em fogo alto firma uma camada que já está lá; não faz surgir uma crosta do nada a partir de arroz puro.
  • E isso faz do "nunca mexa" uma consequência, e não uma regra. Mexer custa três coisas de uma vez: quebra os grãos, levanta o amido do fundo e iguala uma disposição em camadas que deveria ser desigual. O arroz jollof e a maqluba também recusam a colher, por motivos parecidos mas não idênticos — na maqluba, o fundo grudado acaba sendo o topo da travessa.
  • A panela é larga porque a água tem de sair para cima. Numa panela tampada, quase toda ela vai para os grãos; espalhado a 2cm de altura numa panela aberta, uma boa parte do caldo sai como vapor. É por isso que a proporção aqui fica em torno de duas vezes e meia a três vezes o volume do arroz, e não o 1:1,2 que uma panela comum pede, e é por isso que a mesma receita fracassa numa panela funda. Cozinhar para mais gente significa uma panela mais larga, nunca uma mais funda.
  • O bomba incha para os lados, e não no comprimento. Um grão curto que absorve perto de três vezes o seu volume sem se partir é o que torna vinte minutos sem mexer possíveis. Outro arroz de grão curto funciona com um pouco menos de caldo; um grão longo não, porque não consegue beber tanto.

Os fundamentos por trás deste prato

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