Gudeg (jaca verde cozida em leite de coco e açúcar de palma)

Foto: christian razukas · CC BY-SA 2.0

Gudeg (jaca verde cozida em leite de coco e açúcar de palma)

O prato emblemático de Yogyakarta: jaca verde, colhida muito antes de amadurecer, cozida por horas em leite de coco e açúcar de palma e comida não como fruta, mas como um legume que se desfaz ao longo das fibras como carne. O marrom-avermelhado não vem de fritar nem de queimar nada, e sim das folhas de teca colocadas na panela; parado ainda úmido, é um prato para o dia, e cozido até secar, dura dias.

Ingredientes

6porções
  • jaca verde · jaca verde, não madura; em lata, 2 latas em salmoura (cerca de 800g escorrida)1 kg
  • leite de coco ralo · uma lata de leite de coco grosso diluída com o mesmo volume de água800 ml
  • leite de coco grosso200 ml
  • açúcar de palma (gula jawa) · raspado fino; se não tiver, açúcar mascavo escuro150 g
  • ovos · cozidos 10 minutos e descascados6
  • folhas de teca (daun jati) · deixe de fora se não tiver; a cor fica mais clara6
  • folhas de salam (louro indonésio) · 2 folhas de louro comum se não tiver4
  • galanga · amassada3 cm
  • sal2 colher de chá
  • Pasta de temperos
  • chalotas8
  • alho6 dentes
  • nozes-de-vela · tostadas numa frigideira seca; macadâmias se não tiver5
  • sementes de coentro · tostadas numa frigideira seca1 colher de sopa
  • Para servir
  • arroz cozido no vapor
  • frango cozido, ou tofu e tempeh cozidos · opcional

Modo de preparo

  1. Para jaca fresca, unte com óleo a faca e as mãos: a fruta cortada solta uma seiva pegajosa que gruda na lâmina. Tire a casca verde e grossa e corte a polpa, com o miolo, em pedaços de 4-5cm. Para jaca em lata, escorra a salmoura e lave em água fria.

    ⏲ 15 min
  2. Ferva a jaca fresca em água pura por 20 minutos e escorra. A seiva endurece e a adstringência vai embora. A jaca em lata já foi cozida no enlatamento; pule este passo.

    ⏲ 20 min
  3. Moa as chalotas, o alho, as nozes-de-vela e as sementes de coentro até virar uma pasta fina, no pilão ou no liquidificador. No liquidificador, junte algumas colheradas do leite de coco ralo para ajudar a girar.

    ⏲ 5 min
  4. Forre o fundo e as laterais de uma panela pesada com as folhas de teca. Junte a jaca, os ovos cozidos, a pasta de temperos, a galanga, as folhas de salam, o açúcar de palma e o sal, e despeje o leite de coco ralo até cobrir.

    ⏲ 5 min
  5. Deixe levantar fervura uma vez, depois abaixe para o fogo mais baixo, tampe parcialmente e cozinhe por 2 horas. A cada 30 minutos, vire com cuidado a partir do fundo; mexer em círculos com a colher amassa a jaca. Na primeira hora a jaca já estará macia o bastante para uma faca entrar.

    ⏲ 120 min
  6. Despeje o leite de coco grosso e cozinhe destampado por mais 1 hora. Quando o líquido tiver reduzido o bastante para envolver a jaca, é o gudeg úmido. Para o gudeg seco, continue, virando com frequência no fim: o açúcar começa a pegar no fundo.

    ⏲ 60 min
  7. Desligue o fogo e deixe esfriar um pouco, depois, em até duas horas, divida tudo, com o líquido, em potes rasos com tampa e leve à geladeira de um dia para o outro. Durante a noite a cor penetra nos ovos quase até a gema. Reaqueça até soltar vapor por inteiro e sirva com o arroz e os acompanhamentos.

Variações

  • Estilo Solo (Surakarta): na cidade vizinha de Solo o gudeg é mais úmido, menos doce e mais claro. O mesmo nome, a ponta oposta à de Yogyakarta.
  • Gudeg em lata: vendido em latas na Indonésia, onde dura até um ano. O gudeg mandado para longe vai assim.
Mais detalhes e os porquês (2)
  • Gudeg úmido e seco: na Indonésia são o gudeg basah (úmido) e o gudeg kering (seco). O gudeg das lojas de Yogyakarta costuma ser o seco, embalado numa caixa de bambu (besek) ou num pote de barro (kendil) e levado para casa como presente.
  • Nasi gudeg: é o prato da fotografia. Gudeg e um ovo sobre arroz, com sambal goreng krecek (pele de boi num molho picante) e frango cozido em leite de coco (opor ayam). O picante do krecek corta a doçura do gudeg.

Dicas

  • Se comprar em lata, compre em salmoura. Os potes que o halo-halo compra são jaca madura em calda e não servem aqui. Procure "jaca verde em salmoura".
  • Vire, não mexa. Jaca macia mexida em círculos vira papa. Os pedaços com as fibras inteiras são a textura do gudeg. Deslize uma colher de pau até o fundo e vire por cima.
Mais detalhes e os porquês (5)
  • Uma fruta antes de amadurecer é um legume. O halo-halo compra a jaca madura e cristalizada — "Também nas Filipinas, kaong, nata de coco, macapuno e jaca costumam ser comprados em pote." A coxinha lista, para sua versão vegetariana, "jaca, cogumelo ou palmito no lugar do frango." A jaca do gudeg é colhida muito antes de amadurecer. O red red afirma o princípio para a banana-da-terra: "Uma banana-da-terra amarela ainda é amido: frita, não fica doce e tem gosto de batata sem graça." A jaca verde também ainda é amido e fibra, quase sem doçura ou aroma próprios, e cozida se desfaz ao longo das fibras. Por isso aqui a jaca ocupa o lugar que a carne ocupa num cozido: o corpo que absorve o coco e o açúcar de palma.
  • A cor vem de uma folha. Não há passo de fritura e nada é queimado. O leite de coco e o açúcar de palma estão em líquido desde o primeiro minuto e nunca têm chance de dourar. Como diz a ko.wikipedia, o marrom-avermelhado vem das folhas de teca, e é por isso que elas forram o fundo e as laterais da panela. Sem elas só sobra o marrom do açúcar de palma e o prato sai bege-claro. O sabor é o mesmo; compensar a cor com molho de soja muda o sabor.
  • Um cozido sem nenhuma acidez. Cozidos lentos diz: "Quando um prato daqui cozinha por horas um ingrediente sem colágeno, ele segura o ácido." A jaca se mantém inteira pelas paredes celulares vegetais, não por colágeno, e o gudeg nem tem ácido para segurar — nada de tomate, nada de tamarindo, nada de vinagre. Por isso a jaca fica macia já na primeira hora, e as horas seguintes são para a panela, não para a jaca: o líquido reduz e a doçura e o coco penetram entre as fibras.
  • Onde você para decide qual prato ele é. O rendang descreve a mesma bifurcação: "pare no kalio e você tem um curry, siga em frente e você tem uma conserva." O gudeg parado úmido é um prato para o dia, e levado até o fim dura dias. O que muda é o que pega no fundo. O rendang termina com o coco separado e a carne quase fritando no óleo dele; no gudeg, o açúcar de palma pega primeiro. É por isso que, quanto mais seco você leva, mais vezes tem que virar.
  • Esfriados durante a noite, os ovos pegam a cor. Os ovos de chá dizem por que esfriam no líquido: "A maior parte da cor e do tempero entra nesse tempo." Os ovos do gudeg são iguais. Depois de horas de cozimento só a parte de fora está marrom; deixados no líquido na geladeira durante a noite, a cor chega quase até a gema.

Os fundamentos por trás deste prato

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