
Foto: Sintegrity · CC BY-SA 4.0
Coxinha
O salgado de frango que está em toda padaria brasileira. Quem decide não é o recheio, é a massa: farinha mexida no caldo em que o frango cozinhou e cozida no fogo até dar liga, de modo que o amido já está gelatinizado e a massa pode ser aberta bem fina sem rasgar nem estourar no óleo. Feita com água no lugar desse caldo, vira outra coisa na hora.
Ingredientes
- Rende 4 porções (cerca de 16)
- Frango e caldo
- sobrecoxa de frango · com osso dá um caldo melhor500 g
- água1 L
- cebola · metade para o caldo, metade picada para o recheio1
- alho3 dentes
- folhas de louro2
- sal1 colher de chá
- Massa
- caldo de frango · o caldo acima. Não substitua por água500 ml
- leite100 ml
- manteiga30 g
- farinha de trigo · colocada de uma vez só300 g
- Recheio
- tomate · bem picado1
- salsinha · picada2 colher de sopa
- requeijão cremoso · catupiry, no Brasil; cream cheese serve bem como substituto100 g
- suco de limão1 colher de sopa
- pimenta-do-reino0.5 colher de chá
- Para empanar e fritar
- ovos · batidos2
- farinha de rosca · fina200 g
- óleo vegetal · para fritura por imersão1 L
Modo de preparo
- ⏲ 25 min
Cozinhe o frango em fogo baixo na água com metade da cebola, o alho, o louro e o sal por 25 minutos. Retire, deixe esfriar e desfie com as mãos, e reserve 500 ml do caldo. Esse caldo é um ingrediente da massa.
- ⏲ 5 min
Refogue a cebola picada, junte o frango desfiado, o tomate, a salsinha, o suco de limão e a pimenta e cozinhe 5 minutos para secar a umidade. Deixe esfriar completamente. Recheio úmido encharca a massa por dentro.
Leve ao fogo os 500 ml de caldo, o leite e a manteiga até ferver. Com o líquido ainda fervendo, despeje toda a farinha de uma vez e bata com força com uma colher de pau.
- ⏲ 5 min
Continue mexendo em fogo baixo por 5 minutos. Está pronta quando a massa se junta numa bola só e desgruda do fundo e das laterais da panela. Este passo é o prato — o amido precisa cozinhar aqui para que depois a massa possa ser aberta fina sem rasgar.
- ⏲ 5 min
Despeje a massa na bancada, espere esfriar só o suficiente para manusear e sove ainda morna por 5 minutos até ficar lisa. Massa que esfria demais racha e não aceita forma.
Pegue porções do tamanho de uma bola de golfe e achate cada uma num disco na palma da mão. Coloque uma colherada de recheio e um pouco de requeijão, junte as bordas e feche completamente, depois puxe uma das pontas para formar a gota. Uma única abertura e ela estoura no óleo.
- ⏲ 30 min
Passe no ovo batido, empane bem na farinha de rosca e leve à geladeira por 30 minutos. Isso firma o formato e mantém a casquinha no lugar na fritura.
- ⏲ 4 min
Frite a 175C por 4 minutos, até dourar bem. Mais quente, a casca pega cor antes de o interior aquecer; mais frio, elas bebem óleo. Escorra numa grade.
Variações
- Formato de bolinha: redonda, sem ponta. A massa e o recheio são os mesmos qualquer que seja o formato.
- Mini coxinhas: tamanho de uma mordida, o padrão da mesa de festa brasileira (salgadinhos). Menos recheio para a mesma superfície, então proporcionalmente mais crocantes.
- Forno ou air fryer: borrifadas com óleo e assadas a 200C, é bem comum. A casca não estala como a da frita, mas funciona — e como a massa já está cozida, aquecer por dentro não é problema.
- Mesmo país: pão de queijo, brigadeiro. Os três juntos são a base da mesa de festa brasileira.
Mais detalhes e os porquês (4)
- Coxinha com catupiry: com requeijão cremoso junto do frango. Catupiry é uma marca registrada de 1911 que virou, na prática, o nome genérico nesse prato; fora do Brasil, um cream cheese macio é o mais próximo.
- Versões vegetarianas: jaca, cogumelo ou palmito no lugar do frango. Sem frango também não há caldo, então a massa é feita com caldo de legumes e o sabor tem de ser reconstruído de outro jeito (caldos e fundos).
- A mesma ideia em outros lugares: empanadas e samosas envolvem um recheio em massa e fritam ou assam, e menchi katsu e gyukatsu dividem a mesma casquinha de farinha de rosca. Só a coxinha cozinha a massa antes.
- O nome e a lenda: coxinha quer dizer "pequena coxa", e o formato imita uma coxa de frango. A história mais repetida é que uma cozinheira em Limeira, São Paulo, a inventou para uma criança da família imperial que só comia coxa de frango — uma boa história, com pouca fonte por trás.
Dicas
- Caldo, não água. Em peso, a massa é metade do prato, então água faz metade dele não ter gosto de nada. Não jogar fora o líquido do cozimento é a regra número um (caldos e fundos).
- Toda a farinha de uma vez. Colocada aos poucos, a primeira parte cozinha antes do resto e você ganha grumos. Despeje com o líquido fervendo e bata na hora.
- Pare quando desgrudar da panela. Mal cozida, a massa fica grudenta e não toma forma; cozida demais, endurece e racha. Uma bola só e a panela limpa são o sinal.
- Sove ainda morna. Massa fria racha. Deixe esfriar só até dar para manusear, trabalhe-a e mantenha o que não estiver usando sob um pano úmido (massa e glúten).
- Recheio frio e seco. Recheio quente ou úmido derrete a massa por dentro. Seque a umidade e deixe esfriar; é essa a ordem.
- Feche sem nenhuma abertura. A coxinha basicamente falha de um jeito só — abre na fritura, o recheio sai e o óleo entra. Aperte bem as bordas e não deixe ar preso (como envolver e selar).
- Não lote a panela. Quando a temperatura do óleo cai, o equilíbrio acima vai junto. Três ou quatro de cada vez, deixando o calor voltar entre as levas.
- Escorra numa grade, não no papel. No papel a parte de baixo abafa no vapor e aquele lado amolece.
- Reaqueça no forno. O micro-ondas deixa a massa borrachuda. Oito minutos a 180C deixam as coxinhas quase como novas (como reaproveitar sobras).
Mais detalhes e os porquês (3)
- Cozinhar a massa no fogo é o prato inteiro. A farinha batida no caldo fervente gelatiniza o amido, e é isso que dá uma massa que se mantém maleável enquanto morna e pode ser aberta fina sem rasgar. Uma massa crua não aceita essa forma e estoura no óleo (como engrossar molhos).
- Geladeira por 30 minutos depois de empanar. Entrar firme no óleo é o que segura o formato e mantém a casquinha. Congeladas nesta etapa, podem ir direto do congelador para a fritura (congelar e descongelar).
- Mantenha 175C. O interior já está cozido, então a fritura existe só para fazer o exterior. Frio demais, elas absorvem óleo no pouco tempo que têm; quente demais, a cor passa do ponto antes de o centro aquecer (fritura por imersão, óleos de cozinha).
Os fundamentos por trás deste prato
- Congelar e descongelar sem estragar a texturaO dano à textura causado pelo congelamento se resume ao tamanho dos cristais de gelo. Congele depressa, tire o ar, descongele na geladeira, e a maior parte do problema desaparece.
- Fritura por imersão: temperatura, empanamento e a segunda frituraFritar não é tanto cozinhar no óleo quanto trocar a água do alimento por ele. Duas temperaturas, para que serve cada tipo de cobertura e por que existe a segunda fritura.
- Controle do fogo: preaquecer, o óleo e ler a frigideiraOs mesmos ingredientes viram um prato diferente conforme a temperatura da frigideira. Quando colocar o óleo, como ler o calor pelo som e quais pratos querem fogo baixo.
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